Timesheet do Autônomo

Gratuita por enquanto

Ferramenta de apoio ao controle de jornada e de atividades para profissionais autônomos.

Clientes

Cliente que dá prejuízo: como identificar antes de renovar

Duas cadeiras vazias frente a frente com uma mesinha de madeira entre elas, ao lado de uma janela

Existe um tipo de cliente que toda pessoa que trabalha por conta já teve. Paga em dia, nunca reclama do valor, e ainda assim, no fim do mês, parece que ele sozinho comeu a semana inteira. A sensação é real, mas sensação não é dado. Dá para saber com precisão se esse cliente é bom negócio ou não, e a resposta muitas vezes surpreende, porque o cliente mais educado nem sempre é o mais barato de atender.

Como saber se um cliente dá prejuízo?

Compare quanto tempo você gasta com ele contra quanto ele paga, e divida um pelo outro. Se o valor-hora resultante for menor que o seu valor-hora de referência, esse cliente está subsidiado pelos outros, mesmo pagando em dia.

A conta só existe se você registrar as horas por cliente, não só a jornada total. Sem esse registro, a resposta vira palpite, e o palpite quase sempre erra a favor do cliente errado: você lembra da entrega tranquila e esquece as quatro reuniões extras que ele pediu no meio do caminho.

Os sinais que aparecem antes da conta fechar

Alguns comportamentos custam tempo antes mesmo de você somar nada:

  • reunião de alinhamento que vira reunião semanal fixa, sem pedir
  • mudança de escopo pequena e recorrente, do tipo "só um ajustezinho"
  • resposta rápida cobrada fora do horário combinado
  • decisão que demora, seguida de prazo apertado para compensar o atraso
  • comparação frequente com o preço de outro fornecedor
  • pedido de desconto disfarçado de elogio, como "você é tão bom que merecia mais projetos meus"

Nenhum desses sinais, isolado, prova que o cliente dá prejuízo. Juntos e repetidos, valem como aviso para começar a medir esse cliente com mais atenção. Muitas vezes o próprio cliente nem percebe que está pedindo mais do que contratou, porque para ele cada ajuste parece pequeno isolado. É a soma que pesa, e só quem registra enxerga a soma.

Faça a conta: quanto esse cliente rende por hora

Pegue as horas do mês aplicadas nesse cliente específico, incluindo reunião, ajuste e suporte não previsto. Divida o valor pago por ele pelo total de horas. O resultado é o valor-hora real daquele contrato, e ele costuma surpreender.

Um exemplo comum: um contrato de R$ 2.000 por mês parece bom isoladamente. Se ele consome 30 horas entre entrega e reunião, o valor-hora real é R$ 66,67. Um contrato de R$ 1.500 que consome 12 horas rende R$ 125 a hora, quase o dobro, mesmo pagando menos. Sem separar as horas por cliente, essa diferença fica invisível. O método de registro está detalhado em como controlar as horas trabalhadas por conta, e o valor-hora de referência para comparar vem da conta em quanto cobrar por hora sendo autônomo.

O que fazer quando a conta fecha no vermelho

Três caminhos, nessa ordem de preferência.

Reprecificar. Leve o número para o cliente com honestidade: o escopo cresceu além do combinado, e o preço precisa acompanhar. Uma forma simples de abrir essa conversa é mostrar o que mudou, não só pedir mais dinheiro: "no início combinamos uma reunião por mês, hoje são quatro, e isso mudou o tempo que o projeto exige de mim". Muitos clientes aceitam, porque não tinham noção do tamanho que o pedido tomou aos poucos.

Redesenhar o escopo. Se o cliente não aceita pagar mais, defina limites claros: quantas rodadas de revisão, qual o prazo de resposta, o que é ajuste incluído e o que é serviço novo. Coloque isso por escrito na próxima proposta ou no próximo contrato. Isso já resolve boa parte dos casos, porque grande parte do prejuízo vem de escopo solto, não de má vontade do cliente.

Não renovar. Última opção, não a primeira. Vale quando os dois caminhos anteriores já foram tentados e o padrão se repete mesmo assim. Encerrar uma conta que consome tempo demais libera espaço para um cliente que paga o que o seu tempo vale.

Todo cliente barato é ruim?

Não, e aqui mora o contraponto honesto. Um cliente com valor-hora baixo pode valer a pena por outros motivos: abre porta para indicação, é referência forte no seu portfólio, ou paga rápido e sem fricção, o que também tem valor. A conta de horas mostra o custo real, mas a decisão final considera o que esse cliente traz além do dinheiro direto.

O erro é decidir sem saber o número. Decidir sabendo o número, mesmo que a decisão seja manter o cliente, já é diferente de aceitar no escuro.

Quanto tempo leva para o padrão aparecer

Um mês de registro já mostra alguma coisa, mas dois meses são mais confiáveis, porque absorvem a variação natural entre um período mais tranquilo e outro mais puxado. Cliente novo merece um cuidado a mais: os primeiros meses de qualquer contrato costumam exigir mais alinhamento do que os seguintes, então não julgue pela lua de mel nem pela primeira briga.

Como evitar que o próximo cliente vire esse problema

Registre as horas desde o primeiro projeto, não só quando a relação já incomoda. Assim você compara maçã com maçã: sabe se esse novo contrato está seguindo o padrão saudável ou já nasceu consumindo mais do que devia.

A pergunta que fica

Pense no cliente que apareceu na sua cabeça enquanto você lia este texto. Provavelmente tem um. Agora responda: você consegue dizer, com número, quantas horas ele consumiu no mês passado? Se a resposta é não, você ainda não sabe se ele é o seu melhor contrato ou o seu pior, e vai renovar no escuro mais uma vez.

A conta é simples, o que falta é o dado. Comece a cronometrar por cliente hoje, com o nome dele no registro. Antes do próximo fechamento de mês, você troca a sensação por uma resposta.

Para consultar

Horas registradas são o melhor argumento com o cliente

Refação, atraso, cobrança: tudo fica mais simples quando você tem o registro de quanto tempo cada cliente consumiu. O Timesheet do Autônomo faz esse registro por cliente e exporta em PDF. Grátis, sem cadastro.

Registrar horas por cliente

Leia também

Documento em branco sobre uma mesa de madeira escura com uma caneta tinteiro apoiada em cima, esperando assinatura

Clientes

O cliente não pagou: o que fazer, na ordem certa

Entregou, mandou a nota, e o dinheiro não veio. Existe uma ordem que resolve a maioria dos casos sem processo, e ela começa antes da primeira entrega.