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Nota fiscal (NFS-e) do autônomo: as três datas que mudaram

Recibo de papel enrolado sobre uma mesa de madeira escura, ao lado de um calendário de mesa dourado com plaquinhas de dias da semana, perto de uma janela

Você abriu o feed nesta semana e leu que a nota fiscal de serviço muda em setembro. Leu também que autônomo agora precisa de CNPJ. Uma das duas informações está velha e a outra vale só para parte das pessoas. Vale a pena separar as três mudanças antes de mexer no seu jeito de emitir nota.

Quem é obrigado a emitir NFS-e pelo Emissor Nacional?

O MEI que presta serviço para empresa já é obrigado desde 1º de setembro de 2023. A microempresa e a empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional passam a ser obrigadas em 1º de novembro de 2026. O autônomo pessoa física, fora de São Paulo, ainda não entrou nessa regra nacional.

O prazo de setembro virou novembro

A Resolução CGSN nº 189, de 23 de abril de 2026, colocou a obrigação para 1º de setembro. Foi essa data que circulou em quase todo lugar. Ela mudou.

A Resolução CGSN nº 191, de 4 de agosto de 2026, adiou a obrigatoriedade para 1º de novembro de 2026. O aviso saiu no portal oficial da NFS-e em 11 de agosto. São dois meses a mais, e eles caem justamente sobre setembro e outubro, que já estão ocupados por outro prazo: a janela de opção pelo Simples Nacional para 2027.

Se o seu contador falou em setembro, ele pode ter falado antes do dia 4 de agosto. Confirme a data com ele, porque a diferença muda o mês em que o sistema que você usa hoje precisa estar resolvido.

Se você é MEI, isso já vale desde 2023

Aqui está a confusão mais comum. O MEI não entra no prazo de novembro porque ele já entrou há três anos.

Desde 1º de setembro de 2023, pela Resolução CGSN nº 169/2022, o MEI que presta serviço para pessoa jurídica emite pelo padrão nacional. Para serviço prestado a pessoa física a regra é outra: a nota só é obrigatória se o município exigir.

O que muda em novembro para o MEI é indireto. Quem foi desenquadrado e virou microempresa passa a seguir o calendário da ME, não o do MEI. Se você estourou o teto no ano passado ou mudou de atividade, veja em que situação você está de fato antes de assumir que nada mudou. Os motivos e os prazos estão no post sobre desenquadramento do MEI.

E o autônomo pessoa física, sem CNPJ?

Duas notícias diferentes viraram uma só na internet, e elas não são a mesma coisa.

A primeira é municipal. Em São Paulo, o profissional liberal e o autônomo que têm a isenção de ISS da Lei municipal nº 14.864, de 2008, usam o Emissor Nacional obrigatoriamente desde 1º de agosto de 2026. Isso vale para quem está inscrito no cadastro da cidade de São Paulo. Não é regra nacional.

A segunda é federal e ainda não começou. O chamado CNPJ técnico é uma inscrição cadastral exigida da pessoa física que for contribuinte da CBS e do IBS e precisar emitir documento fiscal eletrônico. Ele não transforma ninguém em empresa e não obriga a abrir CNPJ comum. O Decreto nº 13.075, de 21 de julho de 2026, adiou o início para 1º de janeiro de 2027. Até 31 de dezembro de 2026, a Receita Federal informa que continuam valendo os mecanismos atuais de identificação fiscal da pessoa física.

Ou seja: se você trabalha por conta como pessoa física fora de São Paulo, hoje não há nada para fazer. Em 2027, provavelmente haverá.

O que fazer nos dois meses que sobraram

O trabalho real não é apertar um botão em 1º de novembro. É chegar lá sem perder o histórico e sem descobrir na segunda-feira que o acesso não funciona.

  1. Confirme seu enquadramento hoje: MEI, ME ou EPP no Simples, ou pessoa física.
  2. Teste o acesso ao Emissor Nacional em nfse.gov.br antes de precisar dele.
  3. Cadastre os serviços que você mais emite. O emissor guarda favoritos.
  4. Baixe do sistema municipal antigo o que você vai querer consultar depois.
  5. Deixe descrito por escrito o que cada serviço seu entrega.

O passo 2 é o que costuma travar. O login por gov.br é o caminho mais curto e depende do nível da sua conta. Se a sua ainda é bronze, veja como subir para prata ou ouro antes de novembro.

O passo 4 também merece atenção. Migração de plataforma costuma ser o momento em que o histórico velho fica difícil de alcançar, e ninguém percebe isso no dia da migração.

O que a mudança de emissor não resolve

Trocar o lugar onde a nota é emitida não muda o imposto que você paga, nem o regime em que você está, nem a alíquota da sua atividade. É mudança de canal, não de conta. Quem esperava que o Emissor Nacional simplificasse o valor devido vai encontrar o mesmo valor de antes, digitado em outra tela.

Também não é verdade que tudo fica mais fácil. Para quem já tinha o sistema da prefeitura decorado, o padrão nacional é uma tela nova, com campos em outra ordem, no mês de maior movimento do ano. Dois meses de folga servem exatamente para isso não acontecer no dia 1º.

E vale a ressalva de sempre: enquadramento, alíquota e obrigação acessória são conversa com contador. Este texto separa datas, não substitui a análise do seu caso.

Novembro chega com o movimento de novembro

Você termina este texto sabendo três datas: setembro virou novembro, o MEI já está dentro desde 2023 e o CNPJ técnico só começa em 2027. A que exige alguma coisa de você é a primeira, e ela cai em pleno fim de ano.

Quando chegar a hora de emitir, o campo que trava não é o do valor, é o da descrição do serviço. Ele fica fácil quando existe um histórico organizado por dia, dizendo o que foi feito, para quem e em quanto tempo, em vez de uma tentativa de lembrar no dia 30 o que aconteceu no dia 8.

Comece a registrar o serviço enquanto ele acontece, ainda em agosto, e em novembro a nota nova vai ser só uma tela diferente para um dado que você já tem escrito. Os registros ficam apenas no seu navegador, então exporte o relatório em PDF quando quiser guardar o mês fora dele.

Para consultar

Organize o mês antes de a obrigação chegar

Quem registra o trabalho do dia sabe em outubro quanto já faturou e quais notas faltam emitir. O Timesheet do Autônomo é um controle de jornada e de atividades gratuito, sem cadastro, que roda direto no navegador.

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