Timesheet do Autônomo

Gratuita por enquanto

Ferramenta de apoio ao controle de jornada e de atividades para profissionais autônomos.

Formalização

MEI com dois empregados: o que muda e o que já vale

Dois aventais de lona claros pendurados lado a lado nos dois ganchos de um cabideiro de madeira, em uma parede escura iluminada pela luz de uma janela

Você recusou dois trabalhos no mês passado porque não cabiam na semana. Pensou em contratar alguém para tirar da sua mesa o que não precisa ser você fazendo, abriu a regra do MEI e viu que só cabe um empregado. Aí apareceu a notícia de que o limite vai para dois, e a dúvida mudou de lugar: esperar a lei ou resolver agora?

O MEI pode ter dois empregados hoje?

Não. A regra em vigor permite um único empregado, que precisa receber um salário mínimo ou o piso da categoria profissional. O projeto que dobra esse número para dois existe, está na Câmara dos Deputados e ainda não foi votado. Enquanto não for aprovado e publicado, vale o limite de um.

O que o projeto propõe além do teto

O texto é o Projeto de Lei Complementar 186/26, enviado pelo Poder Executivo em junho de 2026. A parte que virou manchete é o teto de faturamento, que passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

A parte que quase ninguém comenta é a outra: o mesmo projeto permite ao MEI contratar até dois empregados, desde que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria. Hoje a lei fala em um só.

Os dois pontos andam juntos por um motivo prático. Sustentar dois salários com carteira assinada dentro de um teto de R$ 81 mil por ano é uma conta que raramente fecha. Só faz sentido dobrar o número de empregados se o faturamento permitido subir junto.

Por que ele ainda não virou lei

Uma comissão especial da Câmara discute o novo teto do MEI desde abril de 2026, sob relatoria do deputado Jorge Goetten. O impasse não é sobre o MEI em si: o relator defende corrigir também as faixas de microempresa e empresa de pequeno porte do Simples Nacional, e o governo quer mexer apenas no MEI.

Em 27 de agosto, o assunto voltou às colunas de Brasília com a queixa de que o texto continua parado à espera de decisão da comissão e da presidência da Câmara. Depois de votado ali, ainda faltariam o plenário da Câmara, a tramitação inteira no Senado e a sanção.

Traduzindo para o seu calendário: pode sair neste semestre, pode escorregar para 2027, pode não sair. Planejar contratação em cima de projeto não votado é o tipo de aposta que sai cara. O mesmo raciocínio vale para o teto de faturamento que ainda não subiu.

Quanto custa ter um empregado no MEI

O encargo direto é 11% sobre a folha: 3% de INSS que cabe ao empregador e 8% de FGTS. Para cada R$ 1.000 de salário, portanto, R$ 110 por mês. O recolhimento é feito no DAE, a guia gerada pelo eSocial, e o MEI passa a informar admissão, férias, afastamentos e desligamento pelo sistema.

Esses 11% são o começo da conta, não o fim dela. Entram ainda o 13º salário, as férias com um terço, o vale-transporte quando devido e a provisão para uma eventual rescisão. Na prática, some algo em torno de um quinto a mais sobre o salário só para provisionar 13º e férias.

O empregado do MEI tem os mesmos direitos de qualquer trabalhador com carteira assinada. Não existe versão reduzida de CLT para quem contrata sendo microempreendedor.

A conta que diz se vale contratar

O erro comum é decidir pela sensação de estar afogado. A conta honesta tem três passos.

Primeiro, liste as tarefas que outra pessoa faria sem perda de qualidade: responder mensagem, organizar arquivo, emitir nota, montar orçamento a partir de um modelo. Segundo, meça quantas horas por semana elas realmente consomem, medindo e não estimando. Terceiro, multiplique essas horas pelo seu valor-hora.

Um exemplo fechado. Dez horas por semana de tarefas delegáveis dão cerca de 43 horas por mês. A um valor-hora de R$ 80, são R$ 3.440 em horas liberadas. Compare esse número com o custo mensal cheio do empregado, salário mais encargos mais provisões. Se as horas liberadas valem menos que o custo, a resposta é não, por mais cansado que você esteja.

Se você não sabe quanto vale a sua hora, essa conta não sai. O caminho está em como calcular o seu valor-hora real.

Quando contratar é má ideia

Liberar 43 horas não significa faturar 43 horas. Só vira dinheiro se existir demanda esperando na porta. Quem contrata para "ter mais tempo" sem trabalho recusado na fila costuma comprar ociosidade cara.

Demanda instável é o segundo sinal de alerta. Empregado é custo fixo mensal; faturamento de autônomo raramente é. Três meses bons não sustentam uma contratação que precisa atravessar os meses ruins também.

E existe o caso em que as tarefas que você quer passar adiante são justamente as que ninguém faz igual. Aí o problema não é falta de gente, é quantas das suas horas viram fatura.

A decisão não depende da votação

Se o projeto passar, você poderá ter dois empregados em vez de um. O que a votação não decide é a única pergunta que muda o seu mês: quais tarefas você entregaria a outra pessoa e quantas horas por semana elas consomem hoje.

Esse número não aparece por estimativa no domingo à noite. Aparece com o cronômetro de atividade rodando durante a semana, separando o dia por tipo de tarefa em vez de deixar tudo virar um bloco só de "trabalho". Comece a cronometrar por tarefa esta semana e, quando a lei mudar, você já terá a resposta pronta.

Para consultar

Organize o mês antes de a obrigação chegar

Quem registra o trabalho do dia sabe em outubro quanto já faturou e quais notas faltam emitir. O Timesheet do Autônomo é um controle de jornada e de atividades gratuito, sem cadastro, que roda direto no navegador.

Começar a registrar

Leia também

Porta de madeira fechada em uma sala escura, com uma faixa de luz de janela no chão e um pequeno relógio dourado sobre uma prateleira ao lado

Formalização

O prazo do Simples Nacional mudou: agora é setembro

A opção pelo regime para 2027 foi antecipada de janeiro para setembro de 2026. Veja quem precisa decidir agora, quem não é atingido e o que muda para o MEI.

Pasta de papel pardo em pé sobre uma prateleira de madeira escura, ao lado de uma caixa de madeira fechada, com luz de janela ao fundo

Formalização

Só 16% dos jovens ainda querem carteira em cinco anos

Pesquisa da Fundação Itaú com Datafolha e Instituto Locomotiva mostra a preferência por carteira caindo pela metade. Veja os dados e o que isso exige de plano.